Expectativas altas ou resultados abaixo do esperado? Por que desempenho de Ricciardo incomoda?

Australiano chega à sétima corrida com a McLaren tendo um P6 como melhor resultado

(Daniel Ricciardo em entrevista na França/ McLaren F1)


Décimo colocado no campeonato de construtores com 26 pontos, um P6 como melhor resultado até aqui e algumas classificações fora do Q3. Daniel Ricciardo está, realmente, entregando resultados abaixo do esperado ou o pedegree do piloto fez com que todos colocassem expectativas acima da média?


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Trinta e um pódios, sete vitórias, três pole positions e quinze voltas mais rápidas. O currículo do australiano, de fato, é recheado e o credencia como um dos grandes nomes do grid. Tendo o terceiro lugar, com 238 pontos, logo na estreia pela Red Bull em 2014, Ricciardo sempre foi um dos cotados a entregar e desempenhar grandes temporadas.


Talvez por isso, os "feitos" conquistados na McLaren estejam desencadeando uma onda de preocupação, cobrança e desconfiança. Daniel passou cinco temporadas seguidas na RBR, pilotando com um estilo específico e rodeado por uma filosofia de trabalho já compreendida pelo piloto - mas, mesmo assim, os anos de Ricciardo na escuderia dos touros foram de

oscilação.


A zona de conforto foi uma das principais razões que fizeram o número três sair do lado azul da Fórmula 1 e escolher o amarelo e preto. E foi na Renault que pudemos perceber uma dificuldade aparente do australiano em se adaptar. Foi preciso uma temporada inteira para Ricciardo conseguir entender como funcionava a rotina da equipe francesa - que também não entregava condições equivalentes à Red Bull.


É certo que há, sim, diferenças em relação ao carros construídos por cada escuderia e não há surpresas que a RBR sempre possuiu um protótipo peculiar.


Foi somente no segundo ano sob o comando de Cyril Abiteboul - e na sexta corrida do ano - que Ricciardo encontrou o acerto entre ele e o volante, deslanchou e alcançou dois pódios em sete corridas e deixou a Renault nos trilhos até o fim do ano. Sair da redoma da RBR pode ter escancarado uma das principais fraquezas do piloto: a adaptação.


Em uma escuderia melhor estruturada, com motor Mercedes e em ampla ascensão, Daniel não vem conseguido acompanhar o ritmo do companheiro de equipe, que chega a terceira temporada com as cores papaia. A falta de desempenho vem levantando questionamentos sobre a capacidade do australiano - será Daniel superestimado? Realmente ele é um bom piloto ou sempre esteve ali apenas por ser legal e ter um bom-humor? - e se a McLaren fez certo em contrata-lo.


Vamos para o ponto principal: o carro apresentado pela equipe neste ano traz consigo uma maneira diferente de pilotar - não temos como dizer ao certo qual, mas existem semelhanças com o desenvolvido pela Red Bull nas questões aerodinâmicas, ou seja, Daniel teria que retornar aos tempos dos touros para entender como conduzir o MCL35M.


Mas para um piloto com as credenciais de Daniel, isso não deveria ser um problema. Desde que não envolvesse a necessidade de mudar toda a maneira na qual ele pilotou pelos dez anos em que esteve na categoria. Ricciardo deixou claro que está precisando retornar ao 'be-a-ba' da Fórmula 1 para conseguir guiar o carro.


O quanto isso impacta no entendimento e no desempenho não há como mensurar, mas há como perceber que é uma parcela importante no processo. Por ventura, o campeão de Mônaco em 2018 com problemas no motor realmente pudesse estar entregando mais do que estamos vendo aos fins de semana e, por acreditar que ele pode mais, as cobranças estejam vindo tão concentradas.


Provavelmente, por vestir o uniforme de uma equipe com melhor desempenho em relação a anterior, esteja pesando tanto negativamente para o piloto. Não há como negar que, com o fim positivo na Renault, esperava-se que Ricciardo chegasse "com os dois pés na porta" na McLaren.