Análise: o caminho de Daniel Ricciardo desde a chegada à Renault em 2019 até o pódio em Nürburgring

Atualizado: 11 de Nov de 2020

Australiano passou por um ano de má adaptação em 2019, encarou a dificuldade da temporada pautada pela crise do Coronavírus e encontrou o caminho da solidez na escuderia francesa

(Daniel Ricciardo conquistou o primeiro pódio com a Renault no GP de Eifel/Renault F1 Team)


"Champanhe!" Essa foi a resposta dada por Daniel Ricciardo ao fim do ano passado, projetando a temporada seguinte, após uma estreia decepcionante com a Renault, pensando a curto prazo. O ano da firmação na escuderia francesa foi virado de cabeça para baixo com a pandemia e, principalmente, com o anúncio da saída do australiano e a ida para a McLaren antes mesmo do início do calendário.


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No entanto, a história foi diferente do que se previa. Ricciardo não só "entrou em acordo com o carro" como, também, cumpriu a projeção feita no ano anterior e levou a Renault de volta ao pódio. Vamos entender o caminho que levou o piloto número 3 até o terceiro lugar nesse domingo, em Nürburgring, no GP de Eifel, na Alemanha.



2019


O ano da mudança de ares. Após entender que a Red Bull não o colocaria como primeiro plano e que apostariam tudo no jovem Max Verstappen, Ricciardo tomou a decisão de deixar a equipe que o levou à Fórmula 1 e vestir o macacão amarelo e preto da Renault.

Pautado pelas promessas feitas pelo chefe de equipe Cyril Abiteboul, Daniel esperava encontrar um projeto promissor, que o colocasse páreo para brigar pelo terceiro lugar - sabendo da realidade e da disparidade da ex-equipe e da Mercedes.


Mas não foi isso que o australiano encontrou. Ricciardo teve à frente um ano de dificuldades e muito abaixo daquilo que esperavam dele. Afinal, Daniel tinha conquistado duas vezes o terceiro lugar no mundial de pilotos pela equipe de energéticos. Com um carro visivelmente inferior ao de 2018, o australiano não se encontrou dentro do cockpit.

(Daniel Ricciardo correndo pela Renault em 2019/Renault F1 Team)


Em 21 corridas, Daniel Ricciardo conquistou apenas 54 pontos, contra os 170 da temporada anterior, e o nono lugar no mundial. A melhor colocação durante o ano inteiro, foi um quarto lugar na Itália. De resto, Ricciardo sofreu com quatro DNF'S e não pontuou em 13 etapas. Sendo um deles uma desclassificação por irregularidades no sistema de freios.


O talento de Daniel foi ofuscado pelo maus resultados, explanados com a sexta colocação da Renault no mundial de construtores, advindos de um carro mal projetado, bem aquém ao piloto que tinha atrás do volante e os prognósticos para 2020 eram de manutenção do declínio da Renault.


E aqui estamos nós...2020


A temporada tinha tudo para seguir no mesmo rumo de 2019, mas a pandemia mudou o curso das coisas. E a primeira delas, o anúncio que pegou todo mundo de surpresa: Daniel, antes do início do calendário, decidiu deixar a Renault, reduzir o salário e escolheu a McLaren. Sonho antigo do chefe da escuderia inglesa, Zak Brown, que tentou a contratação do australiano ainda em 2018, mas não conseguiu equiparar a proposta milionária feita pela equipe francesa.


A expectativa de todos era de uma relação conturbada ao longo deste ano com Cyril e uma saída, talvez, pela portas dos fundos. Não pelo relacionamento ruim, mas pelo apresentado dentro das pistas. E o início dava total indícios de que o caminho seria mesmo esse, com um abandono logo de cara na Áustria. Estiria e Hungria não foram tão animadores assim, também.


Mas a situação virou quando a Renault se viu em pistas onde o motor era mais exigido. As configurações do carro se acertaram e o caminho começou a ser trilhado, a unidade de potência da escuderia francesa, então, se mostrou a segunda melhor do grid e permitiu resultados sólidos. Depois do GP de 70 anos da F1 e Barcelona, Daniel encontrou o ponto certo do carro. Da Bélgica em diante, Ricciardo praticou pilotagens impecáveis corridas após corridas.

(Daniel Ricciardo conquistou o quarto lugar no GP de SPA, na Bélgica/Renault F1 Team)


Nos circuitos de baixa downforce, o piloto mostrava que, independentemente da situação para o ano que vem, ele estava ali para trilhar a Renault ao caminho da glória novamente. E está fazendo, amaciando o R.S20 para Fernando Alonso no ano que vem. Já são cinco corridas seguidas de solidez e grandes resultados, melhores ainda se comparado com os de Esteban Ocon, companheiro de equipe de Ricciardo.


O australiano poderia ter, simplesmente, "largado de mão" a situação já que está de saída e deixado apenas o ano passar. Mas não, Ricciardo mostrou, mais uma vez, porque é um dos melhores do atual grid da modalidade. Segue dando o melhor pela equipe e por ele mesmo. Já são 78 pontos no campeonato de pilotos, um pódio na Alemanha e a clara consistência da Renault cada vez mais favorita à terceira colocada do mundial de construtores. Sem contar que entre os pilotos da McLaren e Racing Point, que disputam o melhor do resto com a equipe amarela e preta, Daniel foi quem mais pontuou nas últimas etapas com 57 pontos.


Daniel Ricciardo deixa a Renault alinhada para a chegada de Fernando Alonso e coloca mais euforia na McLaren que espera contar com um piloto que tem todas as características de um campeão do mundo, uma pena nunca ter tido um carro à altura do seu talento.



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