Análise: a estratégia de pneus que garantiu o P3 de Daniel Ricciardo em Ímola

Atualizado: 26 de Nov de 2020

Australiano “puxou a fila” ao adiantar a parada nos boxes, reagindo a ida de Charles Leclerc, e acertou ao manter os pneus duros durante a entrada do safety car

(Daniel Ricciardo cruzando a linha de chegada

em Ímola/Renault F1 Team)


Talvez a presença de Daniel Ricciardo no pódio em Ímola, no último domingo, não fosse esperada, no entanto, o piloto da Renault, que já se contentava com o P4, utilizou uma estratégia em relação ao pneus que foram crucias para a conquista do terceiro lugar - além da sorte, claro.


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Apenas recapitulando a situação inicial de Ricciardo: o australiano começou a corrida com pneus macios, mesma gama utilizada durante o Q2 no sábado. Por isso, de acordo com a Pirelli, fornecedora oficial dos compostos, a recomendação para quem utilizava os faixa vermelha e tinha a intenção de fazer uma parada, seria ir para os boxes após percorrer entre 24/30 voltas.

No entanto, na prática foi - um pouco - diferente. Em P4 e com um gap de cerca de 2s para Charles Leclerc, Daniel se viu na obrigação de reagir à parada do Monegasco da Ferrari. Leclerc fez o pit na volta de número 13 e Ricciardo, na seguinte. A ida do australiano puxou os outros dois pilotos que seguiam atrás da Renault: Albon, da Red Bull, e Daniil Kvyat, da AlphaTauri.


A intenção era fazer com que Ricciardo saísse dos boxes à frente de Charles - que naquela altura, era o 11º. E funcionou. Com um pit de 2.2s, Daniel voltou para à pista em 10°. Como os outros pilotos à frente não haviam feito a parada, o australiano, naturalmente, recuperaria o P4. No entanto, Sergio Pérez, o quarto colocado após a ida de Ricciardo para os boxes, deixou o pit lane à frente do australiano - o que, talvez, não estava nos planos da Renault.


(Tabela dos pneus/pit stops dos pilotos no GP de Ímola/ Reprodução/Pirelli)


Safety Car

A entrada do carro de segurança ocasionada pela batida de George Russell, restando 15 voltas para o fim da corrida, foi o ponto crucial. Se a reação à ida de Leclerc garantia a Daniel, pelo menos, o P5, a manutenção dos compostos com a entrada do safety car foi o carimbo para o pódio.


Utilizando a estratégia de apenas uma parada, Ricciardo, então, seguiria por 49 voltas com os compostos duros. A presença do safety car dava à Renault a opção de trocar os pneus pelos macios, o que poderia fazer com que Daniel conseguisse ganhar o lugar de Pérez na relargada.

Pensando em manter a posição, o mexicano foi para os boxes e trocou os pneus para a gama de faixa vermelha, caindo para o sexto lugar. Com a decisão do piloto da Racing Point, o australiano, então, saltou para a terceira colocação - naquela altura, Max Verstappen já tinha abandonado a corrida após o pneu estourar.


E foi aí que a escolha de Daniel, em manter os pneus duros, lhe deu o pódio. (Em entrevista, Ricciardo alegou que a decisão por seguir com os faixa branca foi dele). Se o australiano tivesse ido aos boxes colocar o jogo de pneus macios, talvez ele não conseguisse recuperar a posição à tempo, já que, restaram apenas seis voltas para o fim da corrida. Mas não só a manutenção dos compostos duros foi importante, o gerenciamento também foi crucial.

Com um bom ritmo, Ricciardo conseguiu nas últimas voltas, virar no tempo aproximado de 1m17s, número semelhante do russo Daniil Kvyat, que acabou ultrapassando Sergio Pérez e utilizava pneus médios - o mexicano não conseguiu escalar as posições mesmo com os compostos novos.

A sorte ajudou, sim, Ricciardo, mas a inteligência em seguir na pista com os pneus duros foi o passaporte do australiano para o segundo shoey em três corridas.


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